domingo, 17 de agosto de 2014

O chip da IBM que imita a mente humana




Inspirados na arquitetura do cérebro, cientistas desenvolveram um novo tipo de chip de computador que não usa mais energia que um aparelho auditivo e pode eventualmente resolver cálculos que desafiam super computadores de hoje.

O chip, ou processador, é chamado de True North, foi desenvolvido por pesquisadores da IBM e detalhado num artigo publicado na quinta-feira na revista Science. Ele procura imitar a maneira como cérebros reconhecem padrões, apoiado em malhas densamente interligadas de transistores semelhantes às redes neurais do cérebro.

Os “neurônios” eletrônicos do chip conseguem sinalizar para outros quando um tipo de dados – a luz, por exemplo – ultrapassa um certo limiar. Trabalhando em paralelo, os neurônios começam a organizar os dados em padrões sugerindo que a luz está ficando mais brilhante, ou mudando de cor ou forma.



O processador consegue assim reconhecer que uma mulher num vídeo está pegando uma bolsa, ou controlar um robô que está enfiando a mão num bolso e retirando uma moeda. Humanos conseguem reconhecer esses atos sem um pensamento consciente, mas os computadores e robôs atuais têm dificuldade de interpretá-los.

O chip contém 5,4 bilhões de transistores, mas consome meros 70 miliwatts de energia. Por comparação, os modernos processadores Intel em computadores pessoais e centros de processamento de dados de hoje podem ter 1,4 bilhão de transistores e consumir bem mais energia – 35 a 140 watts.

O True Northt tem um milhão de “neurônios”, quase tão complexo como o cérebro de uma abelha.

“Esta é uma realização notável em termos de escala e baixo consumo de energia”, disse Horst Simon, vice-diretor do Lawrence Berkeley National Laboratory.

Horst Simon


Ele comparou o novo projeto ao advento de supercomputadores paralelos nos anos 1980 que, como recordou, foi como passar de uma estrada de pista dupla para uma grande rodovia.

Computação Cognitiva

A nova abordagem de projeto, referida como computação neuromórfica ou computação cognitiva, ainda está em sua infância e os chips IBM ainda não estão comercialmente disponíveis. Mas o projeto provocou um vigoroso debate sobre a melhor abordagem para acelerar as redes neurais cada vez mais usadas em computação.


Nos últimos anos, companhias como Google, Microsoft e Apple recorreram ao reconhecimento de padrões por meio de redes neurais para melhorar em muito a qualidade de serviços como reconhecimento de fala e classificação de fotos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Os Robôs Assassinos



Já estamos a mercê de robôs que podem matar (e matam) seres humanos. O campo da Robótica evoluiu muito nas últimas décadas. Hoje vivemos num mundo em que a ficção científica cinematográfica está cada vez mais perto da realidade. Um salto que, no entanto, a sociedade humana não está atenta ou mesmo nem toma conhecimento das ocorrências e implicações do avanço das máquinas letais.



As gerações de máquinas inteligentes e/ou serviçais já é uma realidade entre os humanos, e não são mais exclusivas dos grandes centros de pesquisa do mundo. Robôs autônomos, capazes de ferir e matar, já estão em operação neste exato momento. São robôs militares sanguinários dotados de decisão própria: podem escolher quem vão eliminar. E tais entidades artificiais não obedecem a nenhuma moral nem têm sua conduta regulada pelas famosas três leis da robótica enunciadas por Isaac Asimov. 

No vídeo abaixo, o próprio Asimov explica as diretrizes por ele preconizadas.

 


O desenvolvimento de robôs assassinos e o perigo que isso traz atingiu proporções significativas, a ponte de chamar a atenção da ONU (Organização das Nações Unidas), que reuniu-se discretamente para discutir a "ética" dos robôs assassinos pela primeira vez. Foi na verdade uma discussão história e preocupante.

Pesquisadores e especialistas em robótica, incluindo-se ex-comandantes militares, reuniram-se em Genebra, na Suíça, para discutirem os recentes avanços em "armas letais autônomas", ou Robôs LARs (Robôs Autônomos Letais, na sigla em inglês) que têm autonomia de decidir quem ou o que destruir. O resultado da discussão sairá na forma de relatório oficial, previsto para novembro deste ano.

Recentemente, a Russia equipou suas bases de mísseis com robôs autônomos capazes de dizimar humanos. Na África do Sul, robôs combatem manifestantes civis.

A própria ONU fornece dados que dão conta de que civis foram mortos em 33 ataques com drones ao redor do mundo. No Paquistão, de 2.200 a 3.300 pessoas foram mortas por ataques de drones norte-americanos desde 2004, 400 dos quais eram civis. De acordo com as últimas informações do Ministério da Defesa do Paquistão, 67 civis foram mortos em ataques de drones no país desde 2008.

Em 2006, o Japão decidiu adotar a primeira lei de Asimov, alegando não ser realístico dar atenção às outras duas leis. O problema maior diz respeito aos humanos: os engenheiros e pesquisadores que projetam máquinas para o combate tanto a civis quanto a soldados militares. Um temor que resultou no relatório da organização Human Rights Watch, que pediu o banimento das armas robotizadas autônomas.

"Como máquinas inanimadas, armas totalmente autônomas não podem verdadeiramente compreender nem o valor de uma vida individual, nem o significado de sua perda", afirma a nota da entidade.

"É possível deter o avanço do armamento totalmente autônomo antes que se ultrapassem limites morais e legais, mas só se começarmos a traçar a fronteira agora", assegurou Steve Goose, em conferência a imprensa, o diretor de armamento da Human Rights Watch e fundador da Campanha para Deter os Robôs Assassinos.

Steve Goose

O fato é que a sociedade não só não está preparada como não está informada a respeito do problema.








sexta-feira, 13 de junho de 2014

Nick Bostrom: a Tecnologia será a grande vilã





Nick Bostrom é um sueco versátil que possui vasta formação acadêmica: Filosofia, Matemática, Economia e Ciência da Computação são algumas das áreas que ele domina. Aos 40 anos, Bostrom é considerado uma das 100 mentes mais brilhantes do nosso tempo e um dos pensadores e pesquisadores mais influentes da atualidade. Além disso, ele também é diretor do Instituto para o Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, que engloba temas como Criogenia, Inteligência Artificial e os riscos que novas tecnologias podem provocar à espécie humana

Bostrom e suas preocupações fazem coro com cientistas e estudiosos de peso como Stephen Hawking, Michio Kaku e Vernor Vinge. Todos eles alertam para o grande perigo do surgimento, ainda neste século, de uma superconsciência artificial. Evento-gênese que Vernor Vinge chama de "Singularidade". Para Nick Bostrom, a tecnologia será a grande vilã da espécie humana — a criatura se voltará contra seu próprio criador. 



Post-humanismo

Sua visão de futuro também considera o que ele chama de “post-humanismo”. Nesse contexto, o transhumanismo é o movimento intelectual que prega o uso racional da tecnologia para modificar fundamentalmente a condição humana. Para Bostrom, estamos diante do maior processo de transformação da humanidade, algo que nos remeterá ao post-humanismo. Mas ele também adverte que as mesmas tecnologias capazes de possibilitar este salto também representarão grandes riscos, "somos como bebês brincando com explosivos", diz Bostrom.  



De acordo com o ponto de vista temerário de Nick Bostrom, o risco que o ser humano representa para si mesmo é maior do que ameaças produzidas por catástrofes naturais, já que há milhares de anos estamos sobrevivendo a asteroides, terremotos, vulcões e outros acidentes de percurso. Porém "não estamos preparados para enfrentar o produto da atividade humana no século XXI".

Alguns cientistas deram nome ao período em que o ser humano domina e vem alterando as condição da Terra, chamando-o de "Androceno". A era em que as nossas interferências estão ocasionando mudanças (muitas delas drásticas) que não aconteceriam naturalmente.

Ainda segundo Bostrom, os três principais vetores portadores dessas ameaças são, ao mesmo tempo, uma revolução e um alto risco, como a ciência da nanotecnologia, a biologia sintética e a superinteligência. Ele acredita que existem grandes probabilidades de que neste século ocorra o desenvolvimento de uma máquina pensante e poderosa, com capacidade intelectual distinta e superior aos cérebros humanos. Um ser artificial que irá fugir ao nosso controle. E quando isso acontecer, deixaremos de ser dominantes no planeta. Além disso, a clonagem de pessoas será outra realidade inevitável.



Para este século, Bostrom igualmente acredita que teremos acesso ao controle do envelhecimento, e calcula que as pessoas superarão os 100 anos de vida. Ou seja, a mesma via na qual se aplica a tecnologia para melhorar a capacidade humana, trará a reboque grandes problemas, como uma maior segmentação entre os humanos, especialmente entre aqueles que possuem acesso ou não às novas técnicas.

Bostrom vai além ao enveredar pelo não menos perigoso território político: "Neste sentido, os governos deveriam exercer um papel fundamental para garantir a toda a sociedade o acesso igualitário a estes benefícios".

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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Programa passa no Teste de Turing


HAL 9000 - computador do filme "2001 Uma Odisseia no Espaço"

Embora tenha obtido êxito nos requisitos mínimos no teste, foi um dia histórico para humanos e "máquinas pensantes". Neste sábado (7), um programa de computador foi capaz de se passar por um garoto ucraniano de 13 anos, chamado Eugene Goostman. 

Programa de computador criado por dupla russa e ucraniana passou no Teste de Turing.

A façanha enganou um terço dos juízes no Teste de Turing, famosa avaliação criada pelo pioneiro da computação Alan Turing, em 1950. E esta é a primeira vez que uma máquina consegue ser aprovada no teste.

Teste de Turing

O teste que verifica se um computador é realmente inteligente recebeu o nome do matemático britânico e cientista da computação Alan Turing, e representa um marco importante na avaliação de uma IA. Para que uma máquina pretensamente inteligente consiga passar no referido teste, por exemplo, ela precisa enganar 30% dos juízes humanos em cinco minutos. A conversa é então realizada mediante chats baseados em texto (os intervenientes do programa não podem ver com quem estão trocando mensagens, nem mesmo saber se estão lidando com um ser humano real ou um computador). 

A notícia do teste coincide com o 60.º aniversário da morte de Alan Turing, ocorrida em 1954.

Alan Turing

O Evento

O teste do programa foi realizado em Londres, pela Universidade de Reading. 
Para enganar seus avaliadores, o "chatbot" Eugene Goostman, produzido pelo russo Vladimir Veselov e pelo ucraniano Eugene Demchenko, inventou que apreciava hambúrgueres, doces, e ainda que seu pai era um ginecologista.

Um chatbot é um sistema automático que responde às nossas mensagens. Algo que, entretanto, notamos logo numa conversa de que não se trata de uma pessoa real.

Embora os noticiários tenham dado ênfase ao feito do garoto fictício, ainda não é motivo de alarme. Tudo que o que realmente aconteceu foi que um programa esperto convenceu um homem de que ele também era humano, e não a evidência do surgimento de uma "singularidade", conforme vaticinou Vernor Vinge ainda para acontecer neste século.

Além do mais, o programa foi especialmente projetado para responder a perguntas sobre sua própria personalidade.

O acontecimento não deixou de receber críticas sobre suas implicações iminentes. Kevin Warwick, vice-chanceler para a Investigação na Universidade de Coventry, esteve no evento de sábado, e explicou que apesar do teste realizado ser importante e o resultado obtido ser “excitante”, há questões que devem ser discutidas: “Ter um computador que consegue levar uma pessoa a pensar que alguém, ou mesmo alguma coisa, é uma pessoa de confiança é um alerta para o cibercrime. 

Kevin Warwick

O teste de Turing é uma ferramenta importante, entre outras coisas, justamente para combater tal ameaça. Perceber online uma comunicação em tempo real deste tipo pode evitar problemas.


De qualquer maneira, e muito embora seja um chatbot esperto, "Eugene Goostman" representa uma ocorrência significativa no caminho do surgimento de uma IA verdadeiramente capaz de não apenas enganar humanos num bate-papo, mas sim de dominá-los num futuro não muito distante.


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terça-feira, 27 de maio de 2014

O Computador Quântico da Google




O buscador do Google é dono da Inteligência Artificial mais rápida e mais poderosa do planeta. Mas, em agosto passado, a empresa Google uniu-se à NASA para obter o que pode ser a peça de hardware mais poderosa do gigante de buscas. E também a mais estranha que se conhece.



Localizado no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Mountain View, Califórnia, a dois quilômetros do Googleplex, a máquina é literalmente uma caixa-preta, com 10 metros de altura. Funciona principalmente como um freezer que contém um único chip de computador baseado em silício, mas não construído com os minúsculos circuitos habituais de fio de nióbio.

Centro de Pesquisa Ames da NASA

Além disso, o cubo negro da Google é mantido a uma temperatura 150 vezes mais fria do que a que vigora no espaço sideral.



O nome da caixa está escrito de um lado e em letras grandes: D-Wave. Executivos da empresa dizem que a caixa-preta é o primeiro computador quântico prático do mundo, um dispositivo que usa mecânica quântica para processar números mais rápido do que qualquer máquina já construída na Terra.



Se eles não estão blefando, então será um extraordinário avanço dentro da Computação.

Hartmut Neven, cientista da computação do Google, convenceu seus patrões a trabalhar com a NASA no D-Wave. Seu laboratório está agora em parte dedicado a testar a máquina, jogando problemas para ver o quanto ela é capaz de resolvê-los.

Hartmut Neven

Animado e acadêmico de língua alemã, Hartmut Neven fundou uma das primeiras empresas de reconhecimento de imagem bem-sucedidas; A Google comprou-a em 2006, para fazer o trabalho de computador-visão em projetos que vão desde o Picasa ao Google Glass.



A otimização é uma parte fundamental do mecanismo aparentemente mágico do Google.

Na arquitetura binária dos computadores clássicos, a maquina processa um bit (0 OU 1) de cada vez. Mas computadores quânticos usam bits quânticos, os q-bits, que podem existir como 0 E 1 ao mesmo tempo. Isto é, eles podem operar assumindo o valor de muitos números simultaneamente, propriedade de sobreposição da informação que potencializa incrivelmente a velocidade de processamento do computador quântico.

Q-bits

A computação quântica é uma área tão nova e tão estranha que ninguém está realmente certo se o D-Wave é uma máquina deste tipo ou apenas um clássico binário. Nem mesmo as pessoas que o construíram sabem exatamente como ele funciona e o que ele pode fazer. Isso é o que Neven está tentando descobrir, sentado em seu laboratório, semana após semana, pacientemente aprendendo a conversar com o D- Wave: “É o que chamamos de 'supremacia quantum’”, isto é, uma nova era da computação mundial.



segunda-feira, 19 de maio de 2014

IA - Destino pós-humano







Vernor Vinge: "Até 2030 surgirá um supercomputador mais inteligente do que os humanos. 
A partir desse momento (singularidade), o mundo não será mais nosso."




Por RUTH HELENA BELLINGHINI (Fonte: Época)


O matemático e escrito de ficção científica Vernor Vinge aposta que o avanço tecnológico vai por fim à vida como a conhecemos.

Profetas do apocalipse não faltam no planeta. E os há de todos os tipos. Os religiosos, sobretudo americanos, que aguardam para os próximos anos o fim deste mundo e o advento do Reino dos Céus. Há os que prevêem mudanças radicais no clima, capazes de destruir os habitats de várias espécies. Há quem preveja uma crise dramática de escassez de água. Mas, diferentes de todos esses, há pessoas como o matemático Vernor Vinge, de 60 anos, escritor de ficção científica e ganhador de quatro Hugo Awards, o Oscar do gênero. Ele enveredou por essa área da Literatura inspirado por seus ídolos, Arthur C. Clarke, Robert Heilein e Isaac Asimov. Sua fama surgiu com a publicação, em 1981, de True Names, na qual descrevia redes de computadores e os efeitos da internet - que na época nem sequer existia - sobre a vida das pessoas. O primeiro prêmio veio em 1992 com a obra A Fire Upon the Deep, em que descreve uma galáxia dividida em zonas de pensamento. Quanto mais distante do centro, mais elevado seria o nível de tecnologia nessas paragens. A Terra, na descrição de Vinge, ocuparia a zona lenta, onde estão os incapazes de superar a velocidade da luz. Há 30 anos, o então professor de Ciência da Computação da San Diego State University (ele se aposentou em 2002) desenvolveu a idéia de que o avanço tecnológico na área de informática vai pôr fim à vida como a conhecemos. Nos últimos anos, ele tem se dedicado a burilar e explicar esse conceito. Quem acha que se trata de delírio de cientista maluco precisa saber que Vinge dá consultoria para grandes empresas e suas palestras são concorridíssimas. A seguir, um pouco de suas idéias.

Como o senhor explica seu conceito de singularidade tecnológica?

Vernor Vinge - Acredito que entre 2005 e 2030 vamos conseguir criar um supercomputador muito mais inteligente do que nós. E a partir desse momento o mundo não será mais nosso. As máquinas terão consciência própria e capacidade de criar outras máquinas ainda mais inteligentes e criativas, e assim por diante.

Por que chamou isso de singularidade?

Vinge - É uma referência à Física. Singularidade para os físicos é um universo no qual as leis naturais que conhecemos não valem mais, e nem sequer somos capazes de imaginar esse outro universo (a palavra 'singularidade' costuma ser usada para se referir à situação do cosmos no momento imediatamente anterior ao big bang). Após a criação do supercomputador, nosso mundo vai mudar de tal forma que hoje somos incapazes de conceber. Daí a expressão singularidade tecnológica. É um mundo impenetrável para nós, para nossas mentes de hoje, acostumadas com o mundo no qual fomos criados.




Vamos desaparecer da face da Terra ou seremos escravizados pelas máquinas, como mostram alguns filmes de ficção científica?

Vinge - Não temos como saber. Por mais úteis que sejam, os computadores que usamos hoje são estúpidos, bastante simples se comparados a nossa capacidade intelectual. Somos bem melhores. As máquinas que antevejo serão absolutamente fantásticas. Se pudéssemos trazer de volta a nosso tempo um gênio como Benjamin Franklin, levaríamos mais ou menos um dia para explicar a ele as mudanças que ocorreram desde seu tempo. Agora, imagine fazer o mesmo com um peixinho dourado. Seremos o peixinho dourado após a singularidade. Qual foi a última invenção que seu cachorro ou gato fez? Pois é, nossas invenções e idéias vão parecer assim para esses supercomputadores.

Estamos vivendo novamente um período de medo de fim do mundo, com religiosos anunciando o apocalipse, o temor de grandes mudanças causadas pelo aquecimento global e por inovações como os transgênicos e a nanotecnologia?

Vinge - O século XXI é um século perigoso. Convivemos com os efeitos do aquecimento global, com o risco de esgotamento de recursos naturais, com novas pragas e doenças que se disseminam rapidamente. O sentimento de medo do fim do mundo não é novo - passamos os anos 60 e 70 com medo da hecatombe nuclear. Mas a sensação de medo se intensificou porque a tecnologia avança mais depressa e está muito presente em nossa vida.

De onde vêm suas idéias, da Matemática ou da ficção científica?

Vinge - Tento manter a ficção separada da Matemática. Minha ideia sobre a singularidade tecnológica é especulação, mas não é ficção - que é o que faço para ganhar dinheiro (risos). Tento ser o mais fiel possível ao que sabemos hoje em termos de tecnologia.

Como o senhor começou a enveredar para a ficção?

Vinge - Sempre me interessei por Ciência e pelo que ela poderia fazer. Para isso, a Matemática é fundamental. Ao mesmo tempo, sempre fui fascinado pelas revoluções tecnológicas e pelo impacto que produzem na sociedade. Esse é o terreno da ficção científica. Na verdade, a ficção científica foi a primeira área afetada por minhas idéias. Hoje boa parte dos livros trata da singularidade, se ela ocorre ou não, da impossibilidade de antever o futuro que se segue a ela.

Quais são os sinais de que esse momento estaria se aproximando?

Vinge - Essa singularidade pode ocorrer ou não. Se houver um interesse menor por inovações na área de computação, ela terá menos chances de ocorrer. Nada aqui é inevitável. Mas o sucesso cada vez maior das conexões sem fio é um sinal de sua aproximação. Outro é o desenvolvimento de softwares de computador capazes de se autoprogramar. No mundo da computação, algumas atividades estão ficando obsoletas e a programação é uma delas. Veremos também o crescimento do número de CPUs trabalhando em rede.

Qual é o futuro dos robôs no cenário que o senhor imagina?



Vinge - Eles ficarão cada vez mais perfeitos e nós teremos dificuldades para diferenciar o ser vivo da máquina. Temos hoje bonecas-robôs, cães-robôs e gatos-robôs, mas nenhum deles é capaz de nos enganar; sabemos que são máquinas. Mas vai chegar o dia em que ficaremos em dúvida de tão perfeitos que serão. O aparecimento, por exemplo, de um robô doméstico capaz de limpar um banheiro com perfeição pode ser o sonho das donas de casa, mas também pode apontar para a proximidade da singularidade. São avanços graduais todos eles. Tomados individualmente não têm muita importância, mas somados indicam um potencial cada vez maior.




A simbiose entre o homem e as máquinas seria outro indicador?

Vinge - Sem dúvida. Hoje você não consegue viver sem seu computador, uma máquina que aumenta sua capacidade mental, que permite a você ter todo tipo de informação à mão numa fração de segundo. Você também não vive sem celular, que oferece acesso à internet onde quer que você esteja. Temos os palms também. Cada vez mais a tendência é de desenvolvimento de equipamentos que acompanhem as pessoas o tempo todo, criando uma espécie de simbiose. 




O filósofo americano Francis Fukuyama, aquele que ficou famoso há alguns anos pregando o 'fim da História', afirma que esse ponto de virada, em que nossa espécie passará por transformações radicais, virá da Biologia Molecular e da manipulação do DNA. O que o senhor acha disso?

Vinge - Não creio. A Biologia vai mudar muita coisa em nossa vida, nos dará diagnósticos mais precisos, drogas mais seguras, exames preditivos confiáveis. Vai até mesmo permitir que nossa memória seja preservada a despeito da idade. Mas nada disso será radicalmente significativo. Até porque grandes revoluções na Biologia dependem hoje de ferramentas de computação cada vez mais sofisticadas. O supercomputador consciente da própria existência e de sua capacidade virá primeiro.




E quanto tempo após a criação desse supercomputador seria necessário para que se criasse essa singularidade?

Vinge - Nós nos tornaríamos obsoletos umas cem horas após o aparecimento desse computador consciente. O que aconteceria conosco é impossível prever. A vida pode se tornar insuportável para nós em meio a esses computadores geniais que vão transformar o mundo segundo sua vontade e necessidade. Para eles, nossas criações seriam irrelevantes e inúteis. Pode ser que sejamos extintos. Pode ser também que alguns de nós sejam mantidos para executar algumas tarefas. Tudo pode acontecer.

Seres humanos são guiados por necessidades físicas claras - sexo, alimento e descanso. É claro que esses não seriam os mesmos imperativos de máquinas. O que o faz pensar que elas nos levariam à extinção?

Vinge - Elas também podem nos manter como animais de estimação. Particularmente, acho que a convivência com essas superinteligências seria mais fácil do que a convivência com outros seres humanos. Sucesso para nossa espécie é uma coisa sangrenta, obtida com esforço e luta, derramamento de sangue, guerras, conquistas. Máquinas não seriam tão intensas e passionais.





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domingo, 18 de maio de 2014

Stephen Hawking alerta para o perigo da IA





Autor, físico e cosmólogo Stephen Hawking co-escreveu um terrível aviso para a raça humana sobre o perigo das involuntárias consequências do nosso atual fascínio pela Inteligência Artificial (IA).

Em uma carta aberta com três outros cientistas, publicada no jornal The Independent, Hawking afirmou que considerar "a noção de máquinas altamente inteligentes como ficção científica" pode ser "o pior erro da nossa história".

Os consumidores usam IA todos os dias na forma de IPhones, assistente pessoal Siri, Google Now e outros programas.

Avanços como o recente desenvolvimento de carros com piloto automático anunciam uma nova geração de produtos e serviços que serão lançados, na medida em que os computadores se tormam mais e mais adeptos a resolver problemas rapidamente.

"Os potenciais benefícios são enormes", escreveu Hawking. "Tudo o que a civilização tem para oferecer é um produto da inteligência humana, não podemos prever o que podemos conseguir quando essa inteligência é ampliada pelas ferramentas que a IA pode fornecer, mas a erradicação da guerra, da doença e da pobreza estariam no topo da lista de qualquer um. Nesse sentido, o sucesso da criação da Inteligência Artificial seria o maior evento da história da humanidade".

No entanto, a carta adverte que esses desenvolvimentos não vem sem riscos ou perigos. As empresas de defesa já estão explorando o uso de armas totalmente autônomas que são enviadas a campo para rastrear e matar alvos específicos.

"Olhando lá na frete, não há limites fundamentais para o que pode ser alcançado: não há nenhuma lei física que impede as partículas de se organizar de forma a executar cálculos computacionais mais avançados do que os arranjos de partículas nos cérebros humanos", disse Hawking, o que significa que a nossa criação poderia aprender a pensar, programar e modificar-se cada vez mais rápido, tornando possível uma "transição explosiva", na qual "máquinas com inteligência sobre-humana poderiam repetidamente aprimorar seu design a ponto de provocar o que Vernor Vinge chamou de "singularidade", e o personagem de Johnny Depp chama de "transcendência".


Vernor Vinge

"Vernor Vinge: Até 2030 surgirá um supercomputador mais inteligente do que os humanos. 
A partir desse momento (singularidade), o mundo não será mais nosso."

Quem detiver tais máquinas no futuro terá o potencial para "fazer previsões mais precisas do mercado financeiro, reinventar a pesquisa humana, manipular líderes humanos e desenvolver armas que nós nem sequer poderíamos compreender".



"Apesar de estarmos enfrentando potencialmente a melhor ou a pior coisa que pode acontecer na hitória da humanidade, pouca investigação séria é dedicada a essas questões", alertou Hawking. "Todos nós devemos nos perguntar o que podemos fazer agora para melhorar as chances de colher os benefícios e evitar os riscos".


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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Google e as Forças Armadas Americanas





Recentemente, a Google comprou mais uma empresa no ramo de desenvolvimento de robôs-soldados para as Forças Armadas dos EUA. Embora a Google não tenha divulgado os objetivos de tal aquisição e investimentos na área de robótica, o negócio chamou a atenção por estreitar ainda mais a parceria secreta entre a Google e os militares.

A empresa adquirida é a Boston Dynamics a qual muito já trabalhou com o exército e a marinha americana, além de ter uma folha de serviços prestados e projetos desenvolvidos para a poderosa DARPA, a agência de desenvolvimento de projetos especiais de defesa.

A linha de robôs da Boston Dynamics é qualquer coisa de fantástico, e consiste de máquinas capazes de se movimentarem feito animais. Alguns protótipos foram desenvolvidos especialmente para transporte de carga em terrenos irregulares, escorregadios ou áreas inóspitas. Também há modelos que saltam obstáculos ou sobem paredes feito lagartixas mecânicas.



Muito embora a Google seja mais conhecida pelo seu famoso buscador na Internet, a empresa tem se ramificado em diversas frentes e projetos ultra-avançados, a maioria implementados no misterioso laboratório Google X.

Porém, seu grande trunfo ainda é o de armazenar em seus enormes datacenters o maior manancial de informação do mundo. Algo que, sem dúvida, muito interessa ao governo, militares e serviços de Inteligência americanos. Afinal, informação é tudo.

Em um dos datacenters do Google: biblioteca de discos, onde é feito o backup de todos os dados.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Modelagem da Realidade na Materialização dos Horgs




Deixe de lado o velho (e enganoso) senso comum e responda: qual dos cenários descritos abaixo é a Realidade?

1) Você está sonhando: toma café e conversa com um amigo (sua mente garante que a xícara em sua mão é sólida, quente e branca; também garante que seu amigo tem vida própria ao dialogar com você no sonho);

2) Você está acordado: toma café e conversa com um amigo (sua mente garante que a xícara em sua mão é sólida, quente e branca; também garante que seu amigo tem vida própria ao dialogar com você desperto).

Se respondeu opção 1, errou.
Se respondeu opção 2, também errou.

Acontece que o cérebro constrói um modelo de realidade com base em interpretações sensoriais de sinais recebidos via estímulos neurais. É por isso que, para o cérebro, ambos os cenários são bem reais, não importando se você está dormindo ou acordado; porém, para a própria realidade, eles não são nada realistas.

A neurociência e a física quântica se unem para explicar o seguinte: a Realidade não é sólida, nem possui cores e formas pré-definidas fora do cérebro humano. Neste âmbito, partículas de matéria ora são pacotes de energia, ora são ondas de probabilidade, não havendo nada de concreto numa parede, por exemplo. As sensações de solidez, textura e tonalidade não passam de interpretações do cérebro para um mundo estranhíssimo, cheio de espaços vazios entre os átomos — que na verdade não são bolinhas no sentido clássico e sim energia condensada.

É por isso que a matéria pode ser modelada, programada e parametrizada a partir de um campo de informação quântica. Esta propriedade está presente no processo de materialização dos horgs. Justamente, vetores de informação são induzidos num campo de informação e, após, transmitidos para os satélites em órbita terrestre. Estes o emitem em direção à atmosfera, propagando os estados quânticos dos avatares. Em seguida, as moléculas do ar se reestruturam a partir dos dados lidos pelas partículas, mediante o efeito de entrelaçamento ou emaranhamento entre o campo emissor e a matéria receptora.



Fenômeno físico muito parecido com o que o cérebro faz ao esculpir uma realidade 3D em sua rede neural, modelando sua própria compreensão da percepção do ambiente.

No passo seguinte, os horgs são enfim formados e, então, o terror se alastra pelas ruas das cidades!


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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Janet Airlines

Vista aérea da famosa Área 51

Paul esclareceu:
            — A Janet Airlines é a “companhia aérea” que serve às bases secretas americanas. Faz o translado de empreiteiros e cientistas até a Área 51, por exemplo, e ainda outras instalações governamentais sigilosas. Normalmente, os aviões são Boeings 737 ou 727, sem identificação ou insígnia na fuselagem branca, sempre com faixas laterais vermelhas e janelas escuras. Pelo visto, já temos em andamento uma operação em larga escala. Provavelmente com o envolvimento da DIA, a agência que trata de assuntos militares internacionais. Mais uma vez, isso não está claro, mesmo para nós da CIA. O governo oculto está agindo?


Avisos nas proximidades da base aérea de Nellis.
Janet Airlines

Os novos "Waza" - II


Naquele dia, Sara carregou para baixo o som portátil. Conectou na saída de áudio duas potentes caixas de som, que foram instaladas de tal modo na garagem que as propriedades acústicas do pavilhão de pedra e concreto repercutiam a música em cada centímetro quadrado, sem contudo perder intensidade nem produzir distorções.
Tudo estava pronto para mais uma sessão de treinamento dos novos waza.
Sara selecionou, dentre as canções da playlist, a faixa “Beat It”, que tocou no volume máximo.
“Uma manhã, fiz diferente. Treinei ao som de música. E escolhi ‘Beat It’ para executar meus‘waza’ porque o contexto do clipe da música envolvia gangues rivais prestes a entrar em pancadaria. Pairava no ar uma tensão de luta em potencial, bem adequada às circunstâncias que eu estava vivendo na época. Eu já tinha confrontado um horg e me preparava para outro enfrentamento com aquelas criaturas apavorantes. Sabia, dentro de mim, que isso iria acontecer em breve, a qualquer momento. Eles podiam surgir ali mesmo na garagem.
“A música refletia o meu estado de espírito. Eu já sentia o meu corpo com precisão, cada parte dele no pleno domínio marcial dos meus movimentos e recursos naturais... Porém meu pensamento não estava de acordo, parecia deslocado com o peso emocional de estar numa fase da minha vida em que nada parecia querer colaborar para as coisas voltarem ao normal.
“Naquele momento, a música que tocava era a metáfora quase perfeita do que eu sentia e vivia na minha alma e nos meus nervos."
A batida da música começou a vibrar e inundou o grande vão subterrâneo. Propagou-se repleta de energia assim que soou estimulante, ocupando espaços antes vazios e dormentes.
O palco e a trilha estavam prontos para o verdadeiro e inusitado show que viria a seguir.
Ela posicionou seus pés, bem firmes, no pavimento de concreto da garagem. E desembainhou a katana e a wakizashi. Cruzou as belas espadas na altura dos pulsos. Portava o daishō fighting spirit que Kentaro Oda lhe presenteara misteriosamente. Seus novos waza exigiam dela o uso das formidáveis armas, destinadas a combates reais e mortais!
Assim ficou concentrada.
Parecia um começo de coreografia em que todo o seu corpo aguardava em prontidão ansiosa.
A batida introdutória da música de repente fez pulsar o ambiente inteiro: em resposta, Sara descruzou as espadas e as foi girando nas mãos, enquanto ela ainda aguardava... 
Não precisou esperar mais, os acordes soaram vibrantes, o riff principal da guitarra repercutiu nos paredões cavernosos da garagem; a vibração sonora excitou cada terminação nervosa do corpo de Sara. Ela sentiu um arrepio eletrizante percorrendo-lhe a espinha, fazendo girar todos os seus chacras. Aquilo tudo ativou os centros energéticos do seu corpo e aguçou sua vontade de lutar!
Neste exato momento seus olhos se abriram e brilharam como nunca. E ela correu para iniciar seu incrível recital aéreo.
Mais a diante, as estrofes da música estremeceram o ar, junto com o corpo da garota em movimento alucinante:

They told him don't you ever come around here
Don't wanna see your face, you better disappear
The fire's in their eyes and their words are really clear
So beat it, just beat it (…)

A primeira técnica que Sara aplicou era a sua favorita: o en-waza. Consistia da inversão vertical do movimento em pleno ar, um loop completo no giro de 360º do corpo. A ação louca acontecia assim que ela encontrava pela frente uma parede, uma coluna ou que mais fosse que lhe permitisse tomar impulso com os pés. Com isso, impelia seu corpo num grande rodopio acima, para em seguida retornar ao chão, onde exercitava o rolamento corporal até ficar em pé como se nada tivesse acontecido. Mas antes disso, ainda no ar, sua trajetória voadora desferia o corte fulminante das espadas duplas, a voluta do aço zunindo como um enxame de agulhões mortais!...

You better run, you better do what you can (…)





Nos dias seguintes, Sara voltou a treinar seu assustador arsenal de golpes e estocadas. E ainda mais intensamente do que antes.
Lorena soprou a novidade ao ouvido do “tio Mása”. Então Masaharu Minamoto, numa tarde de folga no trabalho, desceu à garagem a tempo de presenciar as cenas mais espetaculares que já vira no mundo das contendas marciais: a filha lá treinava, conforme delatara Lorena, ensaiando sua arte aérea e clandestina, com uma dinâmica impossível. Até parecia contrariar os princípios da gravidade dos sólidos, derrogando justamente as leis da Física que ele tão bem conhecia.
Ficou parado presenciando a cena, até que Sara o detectou no seu radar mental. Ela interrompeu-se para ir ter com o pai. Desceu das alturas em sua miragem de anjo armado. Aterrissou perante um Masaharu perplexo. Fitou-o, quase simultaneamente ao ato de depor suas espadas numa cadeira. Apanhou uma toalha e secou a transpiração do rosto e do peito.
— Que foi isso que testemunhei, Sara-chan?! — a voz lhe saiu fraca, como se um resto de estupor o inibisse. — Pensei que estas coisas só eram possíveis na trucagem do cinema?
— Às vezes, pai, a realidade necessita ir além da ficção — ela respondeu com um leve ofegar em sua respiração.
***
Mesmo o professor Minamoto, grande aficionado das artes samurais, passou a preocupar-se com a atitude da filha. Porém adotou o estratagema da “observação casual e incerta”: chegava sem avisar e saía sem ser percebido.
Foi quando o “diabinho amigo” soprou nos ouvidos de Sara. Encarapitado em seu ombro e imitando a voz afobada de Lorena, ele repetiu como num estribilho em sua mente: “Muda de música e de vida!... Muda de música e de vida!...”.