domingo, 24 de novembro de 2013

Guerras Gempei




As Guerras Gempei tiveram como cenário sangrento o Japão antigo, e duraram de 1180 a 1185. Os combates civis foram travados pelos clãs Taira e Minamoto, sendo esses últimos os vitoriosos da série de conflitos colossais que culminou com a derrocada do clã Taira. A maior consequência das Guerras Gempei consistiu do advento do Xogunato no Japão, fato que delegou aos samurais de elite (no caso os Minamoto) o comando político e militar do país.

Yoritomo Minamoto

A longa estirpe dos Minamoto engendrou três Xoguns: Yoritomo (1147-99), Yoriie (1182-1204) e ainda Sanetomo (1192-1219). Com o término das Guerras Gempei, o regime vitorioso instaurou uma nova era denominada Kamakura, que teve como primeiro líder o Xogum Yoritomo Minamoto (ou Minamoto no Yoritomo). Ele era uma espécie de autoridade temporal, o generalato que relegava ao Imperador a função um tanto que decorativa na condução da nação. Pois “O Cara” era o Xogum. Foi inclusive o início do Período Kamakura, comandado sob a espada de Yoritomo Minamoto, que assim fundiu o poder político ao militar. O Xogum passou então a ser um título hereditário. Ou seja, você só seria o mandachuva se fosse um Minamoto. A situação perdurou até o ano em que a estirpe Minamoto passou o bastão para a arrancada da Família Hōjō, os “traíras do pedaço”, pois traíram os Taira para ajudar seu maior rival contra eles. Depois, usurparam os próprios Minamoto aliados. Bem ou mal, foi o clã que, naquela altura da história, passou a assumir a dianteira do militarismo samurai no Japão feudal.

Sara Minamoto descende linearmente deste famoso clã de samurais históricos. Durante sua infância, ela leu secretamente as narrativas dos confrontos titânicos entre os clãs arqui-inimigos Taira e Minamoto. Os primeiros portavam flâmulas vermelhas no campo de batalha, enquanto que o segundo exército distinguia-se pelos estandartes brancos à frente dos batalhões numerosos.

Dentre as contendas de ódio e sangue mais conhecidas do aludido período épico, Sara ficou especialmente impressionada com a Batalha de Kurikara, conflagração que deu um novo impulso e direção à guerra feudal japonesa, marcando a virada do jogo para os Minamoto. Foi deste ponto em diante que eles realmente começaram a minar o poderio militar e político dos Taira.



No livro Jogos Universais, Sara é surpreendida por sua mãe ao ler o relato da Batalha de Kurikara, que semeou a terra com um total de 70 mil mortos e feridos (outras fontes falam em 100 mil soldados vitimados). Histórias proibidas que influenciaram sua mente e seu destino, assim cumprindo os desígnios de sua casta guerreira.




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O sinal espacial do começo dos Jogos Universais

Telescópio espacial Hubble.


Órbita terrestre, 2016.

Por mais de vinte anos, ele atuou em órbita terrestre, girando feito uma pluma ao redor do planeta, apesar das doze toneladas de peso de sua estrutura. No espaço, habitou a gélida fronteira sideral a 612 km de altitude, de onde revolucionou o conhecimento humano ao esquadrinhar os confins mais distantes e profundos do Universo.
E lá estava ele, impávido e solitário, com sua cobertura metálica rebrilhando parcialmente ao sol, no instante em que o cilindro do telescópio iniciou outro giro programado. Mas desta vez apontaria na direção de um longínquo e grandioso evento estelar: o raio de explosão de uma Supernova!
O fenômeno raro era uma verdadeira detonação nuclear no espaço, e seria então captado através de imagens na radiação visível, em ultravioleta e na vizinhança do infravermelho. E, feito um paparazzi exclusivo, ele ainda tiraria inúmeras fotos do espetáculo cósmico, mas sem importunar o astro do momento.
Naquela manhã, no topo silencioso da atmosfera, quando muita gente já o julgava aposentado e obsoleto, os giroscópios de alinhamento do telescópio Hubble começaram a operar na manobra cósmica investigatória.
            Mas ninguém em solo esperava o que viria a seguir. No meio do movimento, o grande tubo espacial parou de repente, passando a assumir um estranho comportamento nas alturas: o prenúncio de outro evento insólito que não tardaria a se anunciar ao mundo!


Mesmo dia.
NASA - Greenbelt, Maryland.

Em órbita, o grande cilindro oscilou, reposicionando-se novamente.
Em terra, o momento era de grande tensão na sala de operações do Centro Goddard.
A partir daquele instante em diante, o telescópio de cinco bilhões de dólares passou a assumir focagem fixa, ou quase isso. Pois recalculava autonomamente suas coordenadas e sua mira à medida que executava o giro orbital em torno da Terra. Assim, e como um voyeur obstinado, começou a espiar, a intervalos, a residência do presidente dos Estados Unidos!
Não mais que meia hora depois, a notícia estourou na mídia mundial como uma bomba a despeito de todos os esforços da NASA para abafa-la e desmenti-la de pronto.
Ao final da manobra insana do Hubble, o cockpit de monitoramento e comando do Centro Goddard emitiu um som agudo e intervalado. Foi uma sequência de bips eletrônicos que chamou atenção para a mensagem que se estampou, simultânea, na tela de todos os monitores da sala de controle.
Então, em fonte vermelha e em rede privada, um único parágrafo enigmático anunciou afrontosamente o que de fato estava acontecendo:

 QUANDO O OLHO SIDERAL
DA ÁGUIA MECÂNICA
 MIRAR EM SOLO O NINHO
DA ÁGUIA BRANCA,
OS JOGOS UNIVERSAIS TERÃO COMEÇADO!


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Os Caixões da FEMA




“Uma coisa terrível acabou de acontecer. Eles (horgs) já estão à solta nas ruas. Meu Deus, o inferno vai começar a reinar lá fora...”.
Sara ligou a TV de tela plana, querendo informações.
           Em vários canais, os boletins cobriam aquilo que no primeiro momento foi noticiado como “a guerra dos demônios bárbaros”. A CNN assim relatou os fatos inicialmente: “...crimes hediondos e atentados explosivos contra locações públicas estão ocorrendo em várias capitais do mundo! Nos Estados Unidos, indivíduos enormes, fantasiados de monstros, causaram estragos e muitas mortes nas principais cidades da nação! Teóricos da conspiração estão dizendo que agora todos nós podemos saber a destinação do que chamaram de “Funeral da FEMA” (Federal Emergency Management Agency). Aludiram aos misteriosos caixões negros adquiridos por este órgão. Cada uma das urnas funerárias pode acondicionar até três cadáveres, e são talvez milhões delas empilhadas nas instalações de Madison, Georgia.

Pilhas de esquifes da FEMA.


        Face a isso, algumas perguntas se impõe: A FEMA sabia de antemão do plano de ataque dos terroristas disfarçados? Por isso providenciou tantos lotes de esquifes, prevendo morticínio em massa, que, aliás, continua a crescer nas ruas? O que mais o governo esconde dos desavisados cidadãos? Que surpresas ainda nos aguardam? São interrogações como essas, somadas aos crimes inomináveis cometidos esta manhã, os responsáveis pela histeria generalizada que tomou conta da população do país. Todos nós estamos atemorizados com o que está acontecendo nas ruas. O medo se instalou de vez em nossas vidas? A FEMA conseguirá sepultar a indignação do povo norte-americano?”.







Sara estava chocada.

Foi noticiado, na sequência e no mesmo canal de TV: “...O incidente com o Hubble, o telescópio espacial que está agora inteiramente assestado para a morada do presidente dos Estados Unidos! Ninguém ainda explicou como isso pode acontecer. A NASA limitou-se a emitir uma breve nota esta manhã, na qual informa sem mais detalhes que tem tudo sob controle. Coincidentemente ou não, as ações nefastas registradas no mundo hoje tiveram seu início com a insana manobra do telescópio Hubble. Analistas políticos estão comentando aquilo que denominaram de ‘a maior e mais devastadora investida do terrorismo organizado já vista, com implicações internacionais imprevisíveis e talvez irreversíveis nas nações mais poderosas do planeta. Algo jamais orquestrado e executado em tamanha escala no mundo moderno!’”

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Fatal Fight




Oficialmente, não passava de um armazém desocupado. Mas a verdade era bem outra: a Yakuza havia tomado conta da área depois que a companhia pesqueira falira e abandonara as instalações na Baía de Tóquio. Desde então o local deixou de ser um frigorífico de carne de baleia para receber em suas câmaras outro artigo menos nobre. Foi assim que a margem noroeste das docas passou a servir ao secreto narcotráfico, e este intensificou o abastecimento dos distritos de Tóquio, enquanto o restante da droga seguia de ferryboat fretado, com frequência zarpando do Terminal de Ariake ou dos portos de Yokohama e Chiba. A manobra seguinte da máfia japonesa consistia em cruzar o canal de Uraga, desembarcando depois a carga ilícita em enseadas e atracadouros banhados pelo Oceano Pacífico ou pertencentes à costa do Mar de Okhotsk. Daí tomava outro destino, desta vez a bordo de pequenos aviões, rumando às ilhas do arquipélago e ao submundo instalado no continente asiático. Nesse último estágio da venda de narcóticos, parte da heroína alcançava ramificações criminosas entre as temidas Tríades chinesas, as metanfetaminas indo concorrer com a produção local da Coréia do Norte, e outro tanto de entorpecentes era reservado à famosa máfia russa e a outras facções criminosas menores, atuantes na Eurásia.
No começo das operações nas docas, agentes e policiais japoneses até que verdadeiramente se empenharam na tentativa de apreensão da mercadoria distribuída pela bōryokudan, como a Polícia de Tóquio denominava a Yakuza; um tempo depois, porém, ninguém mais ousou atacar a bandidagem no seu covil portuário. E, mais que um armistício, fora uma “licença régia concedida aos facínoras”, segundo relatou a própria força de ordem a respeito dos novos ocupantes do armazém.
O local à margem das águas profundas e poluídas da baía era agora vigiado pelas gaivotas-pardas à procura de alimento. E justamente em tal zona neutra o crime organizado decidiu armar o palco para os seus mais loucos e selvagens espetáculos.

Yamaguchi Gumi: o maior clã da Yakuza


Fatal Fight (FF)

Recentemente, holofotes de halogênio foram instalados no teto do pavilhão. Os tubos negros e cilíndricos pairavam em círculos sobre a arena, feito urubus devoradores da carnificina que acontecia mais abaixo: as lutas sanguinárias travadas em cima de um estrado de madeira alto, cujo formato retangular perfazia um total de 120 m² de superfície revestida por grosso forro sintético. Do alto, as luzes lançavam fachos móveis sobre a zona dos conflitos armados. No local acontecia o Fatal Fight em suas edições semanais de combates cruentos bancados por um seleto grupo de bilionários vis e inescrupulosos. As imagens dos confrontos extremos eram tomadas ao vivo e transmitidas em canal privativo. Havia rumores de que a frequência aumentaria devido à pressão de poderosas forças obscuras, audiência ávida e anônima que passara a injetar grandes somas de dinheiro nos eventos bárbaros.
Depois, os vídeos editados eram vendidos na vilania do comércio paralelo. Por fim caiam na Web, onde se convertiam em milhões de hits no YouTube e depois circulavam livremente nas redes sociais, ora fascinando ora escandalizando muita gente que se referia a eles como a “grande ignomínia humana”, e ainda a “vitória do demônio sobre a obra de Deus”.
Na prática, cada edição do Fatal Fight (ou simplesmente FF) só fazia crescer a febre doentia que acometera investidores alucinados que contratavam a peso de ouro suas equipes de XT-gamers junto aos integrantes da “XTreme league”, a associação fora da lei criada pelos promotores das lutas. E, seguindo a linha de atrocidades, os XT-horgs postos em combate enriqueciam seus operadores sem rosto; mas eram os avatares hologrâmicos que ganhavam fama no lugar dos jogadores clandestinos. Na realidade, o prêmio final, orçado na casa dos milhões de dólares, era entregue em espécie e em reuniões secretas aos campeões dos torneios encarniçados, que assim mantinham-se incólumes e anônimos do público e das autoridades. E, no geral das vezes, as rinhas marciais permitiam que avatares se digladiassem nas categorias “horg-versus-horg” e na recém-criada modalidade “horg-versus-humano”. Centenas de guerreiros de todas as cepas se encontravam na Arena da Morte para protagonizar chacinas do mais puro e requintado sadismo jamais visto, nem mesmo nos áureos tempos do Império Romano.
No Japão, a contenda dos gladiadores cibernéticos tinha até direito a “comerciais”. As cenas anunciavam uma gama de “produtos e serviços diversificados”, marca da famosa sociedade criminosa nipônica, a Yakuza.
           Enfim, para a máfia japonesa, sempre se podia ganhar muito dinheiro onde quer que houvesse algo para ser ameaçado, usurpado, banido ou mesmo aniquilado até às cinzas.

De quando Sara Minamoto lutou pela primeira vez no FF
“Foi assustador! De repente eu estava lá, diante daquele monstro louco para me matar! E o ambiente se inundou de uma música ribombante... atordoante... que eu reconheci, pois era um hit antigo que Lorena costumava cantar: ‘Bodies’, de uma banda chamada Drowning Pool; um meme que ficou na minha cabeça, quanto mais depois do que vivi naquela noite!
“Na hora, minha mente começou a processar muito mal a realidade... Tudo estremeceu naquele lugar de doidos, tudo: o ambiente, o meu corpo, os meus nervos, a minha razão e até o meu senso de sobrevivência trepidou junto e intensamente. Uma sensação horrível se apoderou de mim!”.